Polícia: Subinspetor denuncia alegada perseguição e pede contraditório

 




Luanda – O subinspetor da Polícia Nacional, Mateus Xinganeca do Rosário, funcionário público afecto ao Ministério do Interior, remeteu recentemente uma exposição à Procuradoria-Geral da República (PGR), na qual denuncia alegadas perseguições e acusações “infundadas” que, segundo afirma, enfrenta há mais de três anos.

De acordo com a exposição, em 2021 o oficial, então colocado na Direcção de Informações Policiais do Comando-Geral da Polícia Nacional, participou em diligências contra um grupo de cidadãos suspeitos de crimes em Luanda, conhecidos como “os Barcelonas de Cacuaco”.

O subinspetor sustenta que a operação permitiu a detenção de elementos da quadrilha, bem como a recuperação de viaturas e armas de fogo. Contudo, alega que a acção foi “frustrada” e acusa colegas de terem executado alvos, incluindo a sua principal fonte, identificada apenas como Chuck.

Na sequência desses acontecimentos, refere que passou a receber ameaças de colegas ligados ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), situação que o levou a abandonar a capital. Posteriormente, deslocou-se para outras províncias e, mais tarde, para a Europa, onde afirma ter vivido dois anos, concretamente em Itália, mantendo-se afastado da corporação.

“Não fugi por ser culpado, mas sim para me proteger. Sempre fui um trabalhador dedicado e patriota”, escreve, acrescentando que regressou ao país com o objectivo de “provar a inocência” e exercer o direito ao contraditório face às acusações que lhe são imputadas, entre as quais consta um homicídio ocorrido no município do Kilamba Kiaxi.

O subinspetor afirma que as imputações resultam de “ódio laboral” e de alegadas práticas ilícitas de colegas, que, segundo refere, se aproveitavam das operações policiais para benefícios próprios.


Pedido de justiça

Na mesma nota, o oficial reitera o apelo às entidades competentes para que lhe seja garantido um contraditório justo, à luz da lei angolana.

> “Ninguém é tão pobre ao ponto de lhe ser negada a justiça, como ninguém é tão rico ou poderoso ao ponto de não lhe ser aplicada a lei”, cita, recordando palavras do Presidente da República, João Lourenço.

Até ao fecho desta edição, a Procuradoria-Geral da República não se pronunciou sobre o teor da exposição recebida.

O subinspetor informou igualmente ter remetido a mesma comunicação ao Comando-Geral da Polícia Nacional e à Polícia Judiciária Militar, mas afirma que encontra “portas fechadas” para aceder a um contraditório legal perante a lei.
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